Cidade Eletronika 2012 – Ativismo Urbano

Realizado na cidade de Belo Horizonte em setembro de 2012, o Cidade Eletronika 2012 – ATIVISMO URBANO – se expande em busca de novas práticas de ocupação dos espaços públicos. Se antes essa era uma de suas premissas, nesta edição as intenções se potencializam em várias de suas ações. Em torno da realização do Seminário e dos Workshops estão reunidos alunos e professores de arquitetura, urbanismo, design e artes, que se juntam a coletivos internacionais em uma rede de trabalho colaborativo.

Uma produção: Malab Produções

Curadoria, seminários e workshops: Natacha Rena e Lucas Bambozzi

Documentação em vídeo: Lucas Gervilla

festivaleletronika.com.br
malab.com.br

Câmeras DSRL e Documentários

    O objetivo desse texto é compartilhar algumas experiências pessoais usando câmeras DSRL na produção de documentários. Como exemplo, vou usar três de meus trabalhos: o documentário do Labmovel de 2012; o curta-metragem Abrasivo (2013) e o projeto Abandonamento (2013).

    Quando as câmeras da DSRL que filmam em full HD entraram no mercado (em meados de 2008) a maneira de filmar foi modificada. Rapidamente foi possível dar um salto enorme na qualidade das imagens com uma redução significativa nos custos de produção. Modelos como a Canon 5D e 7D viraram febre entre as produtoras de cinema e vídeo, afinal era possível filmar em alta qualidade utilizando câmeras fotográficas.

   Em situações controladas, por exemplo em estúdios, essas câmeras são imbatíveis, porém, em filmagens externas e em situações não tão previsíveis o rendimento delas é menor, especialmente em relação ao áudio.

    Como na maioria das vezes gravo sozinho, acabei optando por equipamentos que cabem em uma mochila e são adequados para praticamente qualquer situação.

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   Comecei a documentação do Labmovel 2012 utilizando uma Canon t3i (600D) com uma lente Canon EF-S 18-55mm f/3.5-5.6, um cartão SD de 16GB e duas baterias. Optei pela t3i basicamente por ela possuir o melhor custo benefício de todas as DSRL da Canon, custando muito menos do que modelos mais badalados como a 7D e 60D e com exatamente o mesmo sensor e processador, ou seja, com a mesma qualidade de imagem. A t3i também é mais leve e mais compacta, além de possuir um visor LCD que flipa, algo essencial.

    Apesar de bom esse kit era bastante limitado, principalmente pela lente 18-55mm. Mesmo sendo uma boa medida, o fato de ser uma lente f/3.5-5.6 compromete demais filmagens com pouca luz. Como o Labmovel realizava muitas atividades ao entardecer e a noite, uma lente mais “clara”  passou a ser minha prioridade.

   Pouco tempo depois adquiri uma Canon EF 50mm f/1.8 II. 50mm é uma medida presente na 18-55mm porém a abertura f/1.8 facilitou muito as filmagens com pouca luz. Depois dela, as outras aquisições foram mais cartões SD e baterias, sempre comprados em sites chineses como o Tinydeal e o DX, economizei uma boa grana comprando nesses sites. Com esse equipamento gravei praticamente todo o documentário do Labmovel 2012.

  Antes do início das filmagens de Abrasivo resolvi substituir a 18-55mm, como já estava bem adaptado com a medida, optei por uma 17-50mm f/2.8 VC da Tamron. Por ser uma lente f/2.8 o desempenho dela com menos luz é muito melhor que a antiga 18-55mm e eu não precisaria me preocupar em reajustar a exposição a cada vez que usasse o zoom. Já com o estabilizador de imagem mecânico não precisaria usar acessórios para transformar a DSRL em uma câmera de ombro.

   Abrasivo foi muito importante para aperfeiçoar maneiras de se gravar o áudio com DSRL, vou voltar a esse assunto mais adiante. Muitas cenas do filme foram gravadas em lugares ermos e debaixo de chuva, onde eu e a produtora Marta Schneider precisamos nos mover facilmente.

  Nessas situações fez diferença poder carregar todo o equipamento em uma mochila, inclusive o tripé: um inseparável Manfrotto 785B. Em alguns momentos utilizei uma lente Tamrom 70-300mm f/4-5.6 VC, emprestada pelo parceiro Lucas Bambozzi.

   Pouco tempo depois realizei as gravações de Abandonamento, um projeto que mistura linguagem  documental com artes visuais. O trabalho foi todo gravado em lugares abandonados na região de Berlim, com temperaturas que chegavam aos -12ºC.

   Como o acesso a maioria desses locais não era tão simples, optei por levar um equipamento ainda mais leve: a t3i, a Tamron 17-50mm, a Canon 50mm, cartões, baterias e o tripé. Tudo sempre em uma única mochila. Me lembro de duas vezes em que a câmera deu uma mensagem de erro acusando que não havia comunicação entre a câmera e a lente, certamente por causa do frio. Nessas situações parei de gravar, desliguei a câmera, limpei os contatos da lente e esperei alguns minutos até que tudo voltasse ao normal.

Áudio

    O áudio é fundamental em qualquer documentário. Porém com as DSRL a gravação do som direto muitas vezes fica a desejar, por isso muitos profissionais optam por uma unidade independente de gravação de som. Mas se você está sozinho ou em um ambiente externo isso pode gerar complicações.

   A principal falha do áudio das DSRL é o fato dos pré-amplificadores delas serem fracos, com uma relação sinal/ruído ruim. Para driblar esse problema, a solução que encontrei foi o uso de pré-amplificadores externos, para o sinal já entrar na câmera mais alto. Criei três setups de áudio:

- Ambientes Hostis.

   Quando não tenho o menor controle do som ambiente, por exemplo, ruas, shows e lugares com muitas pessoas falando. Nessas situações uso um microfone Azden SMX-10 plugado direto na câmera. Esse microfone possui um sistema interno de pré amplificação que dá um bom ganho no sinal. Se o pré-amplificador das DSRL é ruim, por outro lado compressor é bom e confiável. Nesse setup deixo o controle  do volume no automático e compressor cuida para que o sinal não fique saturado.

Labmovel 2012

Labmovel 2012

- Ambientes Pouco Controlados

   São lugares onde há algum controle do som, quando se tem pouco trânsito ou é possível pedir para as pessoas presentes fazerem silêncio. Para esse setup utilizo um microfone direcional Yoga HT 81 acoplado na câmera e um pré-amplicador portátil FiiO E6. O sinal do microfone vai para o FiiO e depois para a câmera. Nessa situação é possível monitorar o áudio com a ajuda de um fone de ouvido. Como o sinal já entra na câmera muito mais alto, deixo o controle de volume no manual, para evitar picos.

- Ambientes Controlados

   Quando há silêncio e pouco movimento. Nesse setup utilizo o Yoga em um pedestal de microfone posicionado o mais próximo possível da pessoa que irá falar, evitando o som ambiente em excesso. Também utilizo um pré-amplificador PHS-PW-2000, mais potente que o FiiO. Com isso o sinal fica mais alto e limpo. Nesse caso o controle de volume também fica no manual.

Setup para ambientes controlados

Setup para ambientes controlados

Observações gerais

Alguns pontos que considero fundamentais para quem está disposto a filmar documentários com DSRL:

- Não economize em baterias. A autonomia da bateria varia de modelo para modelo mas, em geral, cada bateria dura em torno de uns 40 ou 50 minutos. Saia sempre com baterias o suficiente para não ter que se preocupar com isso.

- Outro item em que não se deve economizar são os cartões de memória. No caso de cartões SD, eles devem ser no mínimo Classe 6, para se evitar problemas de buffer na gravação. Prefiro usar cartões de 16GB porque se eu tiver algum problema com ele não perco tanto material assim. Ainda sobre os cartões eu sigo uma regra: cartão descarregado é cartão formatado. Não há nada pior do que no meio de uma gravação pegar um cartão com material dentro e ficar na dúvida se ele pode ser apagado ou não.

- Na hora de escolher o tripé leve em conta o peso dele. Não é vantagem ter um tripé gigante que não cabe em um porta-malas e que precisa de uma pessoa apenas para carrega-lô.

- Na hora de comprar equipamento escolha o que mais te agrada e melhor atende suas necessidades. Não caia no papo do vendedor.

t3i em ação

t3i em ação

Calles

(2010)

Projeções realizadas em pequenas paredes de tijolos de barro, utilizando video mapping. 

Calles é o resultado da minha residência artística no Espacio Casa 3 Patios, em Medellín, Colômbia.

 

Projections on small walls made of bricks, using video mapping.

Calles is the result of my artistic residency at Espacio Casa 3 Patios, in Medellin, Colombia.

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